PRÊMIO NOBEL DA PAZ, MARIA RESSA, ESTÁ NO BRASIL E FALA DO DOMÍNIO DAS BIG TECHS

Maria Ressa gesticula depois de ser absolvida no Tribunal de Recursos Fiscais nas Filipinas — Foto: Jam Sta Rosa/AFP

Maria Ressa recebeu o Nobel da paz em 2021 por sua luta pelo direito à liberdade de expressão. Uma das mais renomadas jornalistas do século XXI, ela fundou um portal de notícias independente em 2012, o Rappler, que rapidamente virou alvo do Estado filipino e fez de Ressa inimiga do homem mais poderoso de seu país: o presidente Duterte. Mas ele não é seu único adversário.

Nas memórias de seu livro (imagem abaixo), Maria Ressa compartilha sua trajetória contra a opressão e censura, e tenta mapear o fenômeno da desinformação que assola o mundo todo.

Da invasão ao Capitólio nos EUA ao Brexit da Grã-Bretanha, passando pela influência do Facebook nas eleições, Ressa revela como grandes empresas de comunicação incentivaram mentiras e disseminaram um vírus de ódio que infecta toda a população, em uma pandemia de raiva e medo.

Contado da linha de frente da guerra digital, Como enfrentar um ditador é o grito urgente para que lutemos por nossa liberdade, antes que seja tarde demais. O que você está disposto a sacrificar pela verdade?

Capa do livro Como Fazer Frente a um Ditador, de Maria Ressa

Em entrevista ao Jornal O GLOBO, do Brasil, em 13.07.2025, Maria Ressa, disse como tem havido o crecimento da produção de regimes autocráticos pelo mundo, com o impulso exponencial de mensagens de médio, ódio e raiva.

“Quando você cria um software hoje, está criando um mundo. Estamos neste momento em um prédio que segue leis para seguir operando. Há uma lei. Uma torradeira nos EUA tem mais regulamentações de segurança do que as big techs têm em seus softwares” ela disse. 

A forma como as redes sociais são moldadas maximizam o lucro, e eles o mantêm rolando a tela com mentiras. Tudo ficou ainda pior depois que Elon Musk comprou o Twitter e o transformou no X. As mentiras hoje se espalham seis vezes mais rápido do que em 2018, e são impulsionadas por medo, ódio e raiva. Elas hackeiam nossa biologia. E essas emoções mudam a forma como vemos o mundo, como agimos e como votamos.